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Karigurashi no Arrietty

E finalmente Arrietty estreia no Japão! Dia 17, sábado passado, o filme foi às telonas nipônicas.

Há pouco tempo também tivemos a oportunidade de ver a versão final do trailer de Arrietty. Então, sem mais delongas, vamos à review:

O Estúdio Ghibli é na maior parte das vezes conhecido como a casa de animações que Hayao Miyazaki construiu, mas Miyazaki dirigiu apenas nove dos dezessete filmes lançados. Quatro foram feitos pelo co-fundador Isao Takahata e os outros quatro por quatro diretores diferentes. Esses quatro últimos, porém, são logo identificados como produtos do Estúdio Ghibli, por seus animados protagonistas adolescentes e seu realismo pictórico em tudo, desde sombras através das árvores à movimentos nas janelas.
O último filme, “Karigurashi no Arrietty (Os Pequeninos)”, conta com a direção do veterano animador do Ghibli Hiromasa Yonebayashi e roteiro do próprio Miyazaki. É contado de forma simples, animado de forma bela e encantadora, e como os melhores filmes do Ghibli, fala direto com o coração e a imaginação da criança dentro de todos nós.

Como “Gedo Senki (Contos de Terramar)” de 2008, que foi dirigido pelo filho de Miyazaki, Goro, baseado em uma novela de Ursula K. Le Guin, “Arrietty” é baseado num clássico Britânico da literatura de fantasia: a novela de Mary Norton de 1952, “Os Pequeninos”. Mas diferente de “Gedo Senki”, e do próprio trabalho de Miyazaki, é apenas uma completa fantasia, com poderes mágicos, bestas místicas e todo resto; “Arrietty” se passa em um mundo presente no Japão onde ninguém exceto os pássaros podem voar. Em verdade, a heroína de catorze anos (dublada por Mirai Shida), junto com sua mãe Homily (Shinobu Otake) e pai Pod (Tomokazu Miura), tem apenas 10cm de altura, e essas “pessoas pequenas” são ordinárias em tudo que se diz respeito.
Vivendo embaixo do assoalho de uma casa no subúrbio de Tóquio, habitada pela velha Sadoko (Keiko Takeshita) e a velha dona-de-casa Haru (Kirin Kiki), eles “pegam emprestado” tudo que precisam para viver de seus anfitriãos humanos, em quantidade tão pequena que estes nem notam. Pod é do tipo forte, estoico e engenhoso que passa suas noites em missões como um alpinista experiente, escalando pela cozinha com uma vara de pescar e uma corda. Ele também leva jeito com ferramentas, fazendo tudo que a família precisa para sua sobrevivência e conforto, ainda que a preocupada Homily o lembre constantemente das ameaças que os cercam – a mais perigosa seria serem descobertos pelos humanos. A magra, mas atlética, Arrietty é mais como seu pai do que sua mãe, destemidamente explorando a casa e seu luxoso jardim enquando tenta se manter afastada do gato gordo de Sadoko, um corvo muito desagradável e uma variedade de insetos. Um dia, ela é vista por Sho (Ryunosuke Kamiki), o sobrinho de Sadoko de doze anos, que descansa para uma cirurgia do coração que fará em um hospital de Tóquio. Ao invés de se esconder, ela é atraída por esse humano, que simpatiza com sua situação e entende a isolação dela. A amizade
incomum deles, porém, pode trazer desastrosas consequencias. Com a perda iminente de seu pequeno paraíso, Pod começa a falar sobre se mudar para partes desconhecidas.
Miyazaki declaradamente escolheu Yonebayashi para dirigir “Arrietty” por sua habilidade com animação. Poucas vezes na Miyazaki colocou sua marca no trabalho; ao invés disso, Yonebayashi e sua equipe (com a supervisão de Miyazaki) criaram um mundo que é detalhado magnificamente e com muita emoção na perspectiva de seus protagonistas em miniatura. Enquanto Arrietty escala vinhas para o teto, mergulha para uma linha na mesa da cozinha ou executa outros feitos de bravura, sentimos o coração na garganta. Não apenas admiramos sua coragem, mas nos sentimos como ela. Algum 3D nos traria essa emoção? Talvez, mas Yonebayashi e os outros animadores do Ghibli são mestres em criar essa ilusão de presença e profundidade sem ele.
O filme ameaça recair em certos momentos, por conta da inexperiência e de momentos enfadonhos, mas estes são muito rápidos. Também existem personagens, como a cruel Haru e o esperto e maduro Sho, que chegam a ser irritantes clichês, mas também possuem suas qualidades. Sho mostra em momentos de crise que possui coragem, enquanto desajeitadamente explica para Arietty que ela e seu tipo provavelmente irão desaparecer. Que chance eles tem, no meio de bilhões de humanos que não tem intenção de dividir o planeta? Uma resposta chega sob a forma de um pequeno “garoto selvagem” (Takuya Fugiwara) que Pod encontra na floresta, que vive sem os confortos da civilização que este com muito suor tentou reconstruir para sua família.
Será esta nossa resposta? Como muitos outros filmes do Ghibli, “Arrietty” fala sobre a devastação que os humanos fizeram em seu ambiente e faz especulações osbre suas consequencias.
Mas importante para este fã do Ghibli, este filme me trouxe a esperança de que quando Miyazaki largar seu lápis definitivamente, o estúdio vai ter pelo menos um sucessor de qualidade. Claro, Yonebayashi não é como Miyazaki – mas quem é?

Originalmente no Japan Times, por Mark Schilling.

Arrietty conseguiu 4 estrelas de 5.

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Monolice

Monolice

Formada em Ciência da Computação, conheceu o estúdio através de A Viagem de Chihiro e foi onde tudo começou pra ela. Seu filme favorito é Princesa Mononoke. Sua contribuição iniciou desde a época da comunidade da Ghibli no orkut, sendo atualmente membro honorário da Ghibli Brasil.
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