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Crítica: Kokuriko-Zaka Kara

Hoje temos uma colher de chá para a aguardada estréia de Kokuriko-Zaka Kara. Nosso colaborador, L. C. Junior, achou esta crítica na internet, e nós traduzimos para vocês.

A versão original em inglês está disponível no site Daily Yomiuri Online.

Ambientado em 1963, Kokuriko-Zaka Kara relembra preciosas memórias
Por Takashi Kondo – escritor do Daily Yomiuri Online
Tradução da Equipe Studio Ghibli Brasil
Kokuriko-zaka Kara
(Título em inglês: From Up Poppy Hill)
Diretor: Goro Miyazaki
Vozes: Masami Nagasawa, Junichi Okada



Ambientado em 1963, o último filme do Studio Ghibli, Kokuriko-Zaka Kara, é repleto de experiências que tem sido perdidas em nosso cotidiano.

No início do longa, a cena onde a protagonista Umi começa seu dia destaca-se. Vestindo uma roupa à moda antiga, a colegial está preparando o café da manhã. Ela cozinha arroz em uma panela tradicional e o coloca em um pote de madeira. Sua irmã mais nova, seu irmão e os residentes da pensão onde Umi trabalha sentam-se ao redor da mesa e tem sua refeição. Essa experiência de refeição comunitária era comum no Japão quando viver em uma família grande era o padrão.

A escola onde Umi estuda também transmite o sentimento de anos passados. As cenas são cheias de nostalgia, incluindo itens como um uniforme branco em estilo marinheiro para as garotas; estilo militar, jaquetas de colarinho rígido e boné da escola para os garotos e um jornal escolar mimeografado. (Nota de tradução – Antigamente as provas eram feitas no mimeógrafo; o processo utilizava Alcool e a impressão ficava em tom de azul escuro/arroxeado).

Tais imagens refletem os dias de antigamente – uma séria, porém delicada era. As imagens na tela evocam os sentimentos nostálgicos da platéia, ilustrando o desejo de retornar a tempos mais simples.

Os personagens coadjuvantes incluem membros antigos da escola de filosofia e clubes de astronomia que fizeram sua base em uma casa velha de madeira chamada “Quartier Latin”.

A relação romântica entre Umi e Shun, um membro da equipe do jornal escolar, também contribui para a atmosfera nostálgica. Enquanto ambos andam de bicicleta, Umi inclina-se sobre o ombro de Shun, ou come um croquete que Shun comprou para ela. É tão fácil ver que eles aproveitam abertamente estar um com o outro e cada pequena ação do jovem casal demonstra o frescor, a inocência da juventude.



Assistindo este filme, muitos vão se lembrar de suas próprias memórias de 1963 – o ano antes dos Jogos Olimpícos de Tóquio, abraçados pelo começo do “boom” econômico. Como eles (Studio Ghibli) observaram, a platéia provavelmente se sentiria confortável como eles encontraram-se mergulhados no sentimentalismo.

Mas este não é apenas um filme açucarado misturado com um toque de nostalgia. Com o desfecho da história, a platéia aprende que Umi e Shun são os únicos que resistem para manter as memórias enquanto tentam recuperar as que estão perdidas.

A história desenvolve-se ao redor de duas importantes memórias do casal – as memórias culturais na casa Quartier Latin e as memórias que dão pistas da origem de Umi e Shun. Os estudantes do Quartier Latin se rebelam contra a escola que está tentando derrubar a casa velha, enquanto o jovem casal está traçando de volta as memórias de seus pais que morreram durante a guerra, com dúvidas insinuantes que eles podem ser meio irmão e irmã.

O filme mostra a força deles e o sofrimento, como eles sentem que estão esquecendo algo sobre seus pais perdidos, e isso é tocante e doloroso de assistir. Esse é o motivo porque as palavras creditadas tardiamente aos pais deles definitivamente vão mexer com a platéia.

No meio de tantas coisas que perdemos, esse filme repetidamente mostra as imagens daqueles que nós estamos procurando. A bandeira, mostrada como um símbolo do pai “atrasado”, é erguida alto, a casa do Quartier Latin é vista contra o céu, enquanto a pensão está no topo da colina. Vivendo neste lugar, os personagens naturalmente olham para cima. Mesmo não clara, a mensagem “Ande com sua cabeça erguida” é uma imagem visual clara. Usado como uma regra simples funciona muito bem durante a história.


Hayao Miyazaki estava na casa dos 20 em 1963 e essa influência é vista no script do filme que ele escreveu. Seu filho, Goro, que nem mesmo nasceu no início dos anos 60 o dirigiu. A produção combinada Pai-Filho teve um maravilhoso resultado e Kokuriko-Zaka Kara é um trabalho que precisa ser visto nestes dias e nesta era. O filme estréia amanhã, sábado 16 de julho no Japão.

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Depois de uma crítica tão boa como essa, estamos todos com muita vontade de assistir!

Ficamos por aqui, aproveitando para lembrar do encontro no Anime Friends, amanhã 16 de julho, as 15h no estande da Comix. Não se esqueçam de se identificar com algo que lembre o Studio Ghibli. Contamos com a presença de vocês!

Monolice

Monolice

Responsável por atualizações de páginas e back office do site. Assistia Sailor Moon quando era criança e ficou muito curiosa com o filme japonês que estava passando no cinema da cidade – A Viagem de Chihiro, que ganhou um Oscar e foi onde tudo começou para ela. Tem 28 anos, é natural do Sul de Minas – Poços de Caldas, frequenta a Campus Party sempre que pode e é formada em Ciência da Computação. Seu sonho é ter todas as obras do Studio Ghibli em BluRay e quando tiver filhos já sabe que o tema do quarto é Totoro. Seu filme favorito é Princesa Mononoke, mas sempre que pode repete uma dose de O Castelo Animado, já que Sophie é sua personagem favorita.
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