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Princesa Kaguya, um filme de cortar o coração

Foi apenas a quatro meses atrás, que Kaze Tachinu, filme anterior do Studio Ghibli, chegou aos cinemas em todo o Japão. Mas Hayao Miyazaki não é o único diretor do Studio para ter um filme este ano. Isao Takahata (O Túmulo dos Vagalumes) lançou seu próprio filme, Kaguya-hime no Monogatari (O Conto da Princesa Kaguya), na semana retrasada.

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UM CONTO DE FADAS DO PONTO DE VISTA DA PRINCESA
O Conto da Princesa Kaguya é baseado em The Tale of The Bamboo Cutter (O Conto do Cortador de Bambu) – o mais antigo e conhecido conto popular japonês. Na referida lenda, um lenhador de bambu encontra um bebê em um caule da planta, e toma-o como seu. Depois que ela cresce e torna-se uma bela mulher, príncipes e, eventualmente, o próprio Imperador – lutam por seu afeto. No final da história, no entanto, ela retorna à sua casa na lua, deixando o Imperador só e de coração partido.

O Conto da Princesa Kaguya leva este conto de fantasia simples e faz com que seja uma história humana. A princesa não é apenas um prêmio para os homens da história que deve ser vencido. Em vez disso, Kaguya é uma pessoa normal, uma menina com seus próprios desejos e sonhos. Quando ela envia seus pretendentes em tarefas aparentemente impossíveis, ela acha-se inteligente por evitar o casamento com um estranho que ela não ama. Quando alguns voltam alegando sucesso ela se encontra em pânico – medo de que seu plano tenha saído pela culatra. E quando alguns dos pretendentes se encontram em consequências imprevisíveis, ela se entrega a uma forte porção de auto-aversão na qual se culpa pelo que sua “esperteza” fez.

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A BATALHA DOS “DESEJOS”
Quando tudo vem abaixo, O Conto da Princesa Kaguya é uma batalha de “desejos”. A própria Kaguya quer viver como ela fazia quando criança: pobre, em meio a sujeira e correndo pelos campos com seus amigos. Seu pai quer que ela seja tratada como a princesa que ela realmente é, e cria-se um inferno tentar fazê-la se tornar uma “perfeita dama”. O Imperador e o resto de seus pretendentes a quer como um prêmio – o único acessório que não podem comprar com todo o seu dinheiro e poder. E por trás de tudo isso existe o que o povo da lua quer – por que eles a mandaram para a terra (e se eles virão para leva-la de volta).

Todos estes “desejos” colidem nesta tomada da história para um conto sem bem ou mal, mas simplesmente um com personagens verdadeiramente humanos que enfrentam problemas comuns (e extraordinários) causados por seus desejos conflitantes.

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AQUARELAS E LÁPIS COLORIDOS
Visualmente, O Conto da Princesa Kaguya é um filme belíssimo. Ao contrário da maioria dos filmes de Ghibli (que têm um estilo visual uniforme), O Conto da Princesa Kaguya tem um olhar muito próprio. O filme é animado como se fosse feito com nada além de lápis de cor e aquarelas – fazendo literalmente cada quadro do filme parecer com algo que poderia ser pendurado em uma galeria.

Mas o que é realmente especial sobre a animação em O Conto da Princesa Kaguya é a forma como ela interage com a história e a forma como ela é contada. Nos momentos mais tensos e cheios de pânico, as linhas de lápis se tornam mais irregulares, as imagens mais indistintas. As cores, por sua vez são silenciadas dando espaço para os tons pretos e cinzas. O oposto pode ser dito dos momentos surreais do filme onde as cores ficam mais brilhantes e as imagens mais nítidas.

Em outras palavras , o filme é puro deleite visual do início ao fim.

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PENSAMENTOS ALEATÓRIOS – ESTEJA PREPARADO PARA UMA HISTÓRIA TRISTE
Embora longe de ser tão depressivo quanto O Túmulo dos Vagalumes, basta dizer que O Conto da Princesa Kaguya não é uma história feliz. Ela está cheia até a borda de conflitos pessoais e tragédia. Se você olha o logotipo do Studio Ghibli e acha que você está em uma aventura familiar como em Meu Vizinho Totoro ou A Viagem de Chihiro você estará se dirigindo a um rio de lágrimas. Considere-se avisado.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em suma, O Conto da Princesa Kaguya é um filme que sentimos alegria apenas de assistir. Ao se concentrar em Kaguya como uma pessoa em vez de um objeto, o filme transforma o conto popular mais antigo do Japão em uma história sobre pessoas normais tentando encontrar a felicidade. Acrescente a isso a mais bela e única animação em anos, e você tem um clássico instantâneo. Se você está à procura de um conto de fadas que você pode se identificar em um nível pessoal ou só quer ver algo de tirar o fôlego – O Conto da Princesa Kaguya é o caminho certo.

Em outras palavras, se você estiver indo assistir a apenas um filme Ghibli este ano, escolha este.

O Conto da Princesa Kaguya foi lançado nos cinemas japoneses em 23 de Novembro de 2013. Não há atualmente nenhuma notícia sobre um lançamento ocidental.

Veja o vídeo promocional de 6 minutos do filme:

Resenha traduzida do site Kotaku

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Amanda Rotta

Amanda Rotta

Designer paulista, ela é editora-chefe e a responsável pela Studio Ghibli Brasil. Quando se trata de Studio Ghibli, é a nossa expert. Faz a curadoria dos temas que são divulgados tanto aqui quanto nas redes sociais, escrevendo também as matérias para o site. Contato: amanda@studioghibli.com.br
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